quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Dona Bossa, sempre Nova

Essa Dona, que um dia foi uma moça, "coisa mais linda e cheia de graça, num doce balanço a caminho do mar" , este ano completa 50 anos. E eu encantada por ela como sou, precisava demonstrar minha alegria em vê-la tornar-se uma senhora com a mesma graça juvenil. Salve, salve, Dona Bossa!


“Ela é carioca”. Nasceu como uma típica garota de Ipanema, cheia de graça, de balanço e uma harmonia dissonante. Com sua poesia simples encantou o Brasil e o mundo. Em 2008, a Bossa Nova comemora seus 50 anos, com novas harmonias, melodias e variações em sua inconfundível batida.

O marco inicial desse movimento é a canção “Chega de saudade”, composta pela dupla inseparável Tom Jobim e Vinícius de Moraes, e lançada na voz do baiano João Gilberto, no ano de 1958. A Bossa Nova surge a partir de uma necessidade de se fazer uma música diferente, intimista, refinada e ao mesmo tempo alegre e otimista.

Bossa é um jeito, maneira, um charme, é um “quê”, como insinuava a popular gíria carioca do final dos anos 50. Ela surge como fruto da urbanidade brasileira e provoca uma efervescência instrumental sem precedentes. Concentrou-se na zona Sul do Rio de Janeiro, seja nos apartamentos de Tom ou Nara Leão, seja pelos calçadões de Copacabana ou Ipanema; daí ser considerada por muitos como uma música elitista.

Nomes como Carlos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli, Eumir Deodato, João Donato, Nara Leão, João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes consagraram as letras e músicas dessa Bossa que influenciou músicos, compositores e arranjadores do mundo inteiro, tendo reflexos nas composições de artistas como Cazuza e Lobão, além de ser discotecada nas pistas eletrônicas de vários países, onde sucessos desde João Donato a Edu Lobo foram repaginados.

Para alguns estudiosos da música, o fim da Bossa se deu em 1965, quando Elis Regina cantando “Arrastão”, composição de Tom Jobim e Eduardo Lobo, ganhou o I Festival da Música Brasileira, da TV Excelsior, dando início a rotulada MPB.

Contudo, para outros a Bossa continua muito viva. O “samba diferente que ganhou o mundo”, ganhou também novas vozes, letristas e ritmistas, mas permanece com seu carisma e personalidade forte, os quais garantiram seu sucesso nesses 50 anos. Bebel Gilberto (filha de João Gilberto), Mariana Aydar, Clara Moreno, Roberta Sá e Bossacucanova são alguns dos nomes que figuram o cenário musical do que muitos chamam Nova Bossa.

De qualquer forma, ela “chegou, sorriu, venceu”, às vezes delicada e descompassada como os sambas de Tom, ou cheia de tons e contrapontos como os sons de Menescal. Encheu os dias de luz e fez festa no sol. A Bossa “é a chuva chovendo e conversa ribeira”. E agora, definitivamente, “Chega de saudade”, porque “para a poesia, a vida é alegria”.

Ah, Dona Bossa, “se todos fossem iguais a você, que maravilha viver!”

Um comentário:

lalaneiva disse...

Outro belo texto! Queria vê-los publicados...pq você não tenta mandar para os artigos do O Dia?..xerus